Não sabia que era assim que se morria.

Não acredito sempre em Deus mas hoje tenho que acreditar para Lhe fazer crer – convencê-Lo mesmo – de que o nosso amor é maior e mais importante; que não sei já como se desperta para cada dia de outra maneira que não seja a de te ter comigo. Quero fazer-Lhe ver que podemos ser grandes e felizes e bons e generosos e trabalhadores sem descanso da messe. Quero persuadi-Lo, chantageá-Lo se preciso for. Quero que nunca sofras, que nunca me faltes, que nunca te falte. Quero negociar um sopro último fugaz que chegue num tempo muito distante, quando a ternura for a única regra da manhã, quando formos dois velhos, muito velhos, num abraço.
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