O teu pai.

As vezes o teu pai trabalhador fica triste com coisas de gente grande.
Nesses dias o teu pai triste precisa de palavras contentes para se lembrar de gostamos as duas muito dele. O teu pai doutor é muito grande e olha que grande é uma palavra pequena mas cheia de significados que assentam bem no teu pai amor. O teu pai brincalhão está à tua espera. O teu pai beijinhos também. O teu pai sem jeito também te espera cheio da vontade desajeitada de ajudar a cuidar de ti. Tenho a certeza que o teu pai grande vai ser o teu primeiro e único mais-que-tudo. Como também foi da mãe.
Gostamos muito de ti, paizão.

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PTGO

Já engolimos um copázio muito, muito, muito, muito doce. Tão doce que ainda não paraste de rabiar, não sei se de felicidade se de enjoo (como eu). Já levámos com uma espetadela… Faltam-nos outras duas, à uma e às duas horas. Agora estamos aqui quietinhas para não queimarmos nem uma grama… As revistas estão desactualizadas. Resta-nos o blog e os restantes megas de internet…que já não devem ser muitos. 
A PTGO significa que já lá vão as 24 semanas 🙂

Estás cada vez mais perto. Can’t wait.

Ramos Rosa, 1924-2013

“Luanda aos 30 de Agosto de 2009
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração.
António Ramos Rosa”
***
Estava em Luanda no dia 30 de Agosto de 2009 quando, por palavras escritas, António Ramos Rosas me falou de um amor, de um abraço e de uma aurora inadiáveis.

Tudo se cumpre nesta vida e eu acredito que se cumpre como está escrito.

Caminhos tortuosos trouxeram-me ao essencial que vivo hoje.

Experiências, pessoas e lugares, vividos quase sempre no incrível fio da navalha, são agora um plano principal rascunhado ao canto de jornal amassado. Notícias adiantadas, coisas que parecendo mal amanhadas trazem um fio condutor.

Não vejo além do metro que mede os dias à frente dos meus pés. Sei que passos dou. Sei que se devem concretizar mesmo que só venha a descobrir-lhes os motivos em intervalos de mil quatrocentos e sessenta e tal dias.

Resgatou-se o amor. Reaveu-se o abraço. A Aurora decidiu-se. Mesmo quando a noite pesa séculos sobre as costas. Confio.

Como se recomeçássemos já.

Caímos sobre os espinhos da vida e magoamo-nos, sangramos…
Recomeçar, recomeçar em cada fracasso, em cada adeus.
Recomeçar com toda a força dos nervos, da vontade e dos músculos.
Recomeçar com uma prece nos lábios.
Recomeçar!
Viver solto de amarras, de hábitos e de utopias.
Recomeçar livre!
Recomeçar abraçando a noite, abraçando a dor e as nuvens.
Recomeçar com fé, com certeza.
Recomeçar, por respeito connosco próprios!
Subir ao terraço da alma e recomeçar olhando o infinito como promessa.

A experiência diz-nos que às vezes é preciso beber a noite para tocar a aurora.
Noites longas, tantas!… Mas recomeçar. E arrancar manhãs às noites.
É preciso.
É preciso recomeçar.
De múltiplas mortes as flores constroem também a existência e se abrem a quem as visita.

Esperar como quem recomeça já.
Se preciso for, de joelhos no íntimo; mas sempre de pé, na praça pública.
Esperar.
Esperar até ao último tutano do esperar.
Esperar.
Purificarmo-nos na espera.
Merecermos a conquista da alegria e da paz, na espera.
Sem fugas nem alienações.
Esperar com a solidão e o fracasso aos ombros. Mas esperar.
Esperar como se recomeçássemos já.

Recomeçar cingidos de coragem e de sonho.

MANUEL, Henrique – Mas há sinais….