Blame it on Daddy #1

4:08 am

Há quase 38 semanas a dormir mal…

Apetece-me uma noite de barriga para baixo.

Mas faço o quê com as saudades que já tenho da tua companhia permanente, de te saber o mais segura que consigo, de tudo me parecer bem mais simples e bem mais possível do que no tempo sem ti?

E quantas vezes me pergunto se alguma vez existiu outro tempo que não este já tão contigo… de noites mal dormidas, de gestos rotineiros forçosamente lentificados.

No dia em que soube de ti aconteceu magia. Já não dormi tranquila. Naquele estado de semi-vigília durante o sono para onde as preocupações nos transportam, deitava-me de lado quase instintivamente, apesar de saber racionalmente que qualquer posição seria inofensiva para os teus grandiosos milímetros de gente.

Quando soube de ti experimentei um sentimento novo: não foi um medo imenso, não foi uma alegria desmedida, nem sequer foi algo intermédio. Foi bom e indescritível. Foi qualquer coisa diferente de tudo o que sentira até então.

Não foi deste mundo.

O teu pai estava de Urgência e eu não consegui esperar por ele. Não consegui depois ligar-lhe. Tremia quando lhe enviei a fotografia dos traços que já nos estavam a mudar a vida.

Ainda não te pus os olhos em cima mas basta-me viver esta transcendência de termos concebido alguém que sabemos único e irrepetível em traços e feitios. É já assoberbante e arrebatador, quem quer que venhas a ser.

Hoje mudamos de ano. Virás, quase de certeza, em 2014 (a menos que decidas surpreender-nos nas próximas horas…) e quando as palavras já não tiverem segredos para ti hás-de ler estas linhas e saber que foste o melhor que 2013 nos trouxe.

O Natal há-de acontecer, mais cedo ou mais tarde, no nosso Presépio “to be”. E tu, como o Menino, também hás-de vir salvar-nos de alguma coisa. Já não somos os mesmos mas seremos melhores.

E embora lá no fundo saiba que não mais terei as noites tranquilas de outrora…

No que respeita a estas: podemos sempre culpar o pai! Porque é grande e ocupa dois terços da cama, e porque é muito quente e temos calor, e porque se mexe muito. E ressona um bocadinho. Pronto. Eu acho que ele não se importa.

We’ll blame it on daddy.

Parabéns, Papá.

Aurorinha,
O teu pai é muito especial.
Hoje faz 30 anos e apesar de a vida não lhe sorrir todos os dias, hoje fez por se lembrar do essencial: temos-te a ti e ele quer-nos com ele naquela curta hora de jantar que vai intervalar dois trabalhos.
Em dias como hoje, que não podem ser totalmente felizes porque trazemos o coração apertado, porque entrou areia na engrenagem, porque tarda o dia em que vamos poder respirar de alívio, preciso de lhe dizer mais vezes e mais alto que não o quereríamos outro nem diferente, nem noutro sítio qualquer que não este, nem com outro plano diferente daquele que encetamos.
Todos os dias gostamos mais dele e tenho a certeza de que te vais encher de orgulho do pai que te arranjei. Vais apaixonar-te por ele como eu e não vais duvidar disso mesmo quando não lhe entenderes as razões todas.
E sabes que mais? A julgar pelo tamanho da minha barriga tu vens carregada de esperança.
O presente de hoje és tu, meu pequeno Amanhecer. Tu e os teus dois pequenos braços que vêm fechar um abraço onde ele nunca vai estar sozinho.
Nós estamos doidos para que esse Natal aconteça. E tu não tardas.
Parabéns, Papá.