Self reminder #2

Gravar um dos teus amanheceres. Espreguiças-te como se fosses abraçar o céu. Vais abrindo os olhos com o vagar exigido à Natureza. “- Bom dia meu amor!”. E abres um sorriso. E o meu dia começa. E a minha vida recomeça. Tal foi o propósito do teu nome. Minha Aurora.

Lemas para a tua vida #4

Menina assenta o passo / sem medo ou manha, / ou muito te passa da vida. / Tem que a ver quem faça / o que muito queira. / Caminha sem falsa fascinação. / O teu coração / ainda pára, / forçando a apatia p’lo medo de dançar. / Não se avista um dia / em que o ego não destrate / uma mais bela parte / escondida em ti. / Menina sê quem passa p’ra lá da ideia. / Quem muito se pensa fatiga. / Nem vais ver quem são, / seus olhos no chão, / os que andam p’ra ver-te vencida a ti. / O teu coração / sem querer dispara / força e simpatia ao Ser que te vê dançar. / Vai chegar o dia em que o medo não faz parte / e, por muito que tarde, esse dia é teu. / Desfaz o Nó, / destrava o pé, / desmancha a traça e avança. / chocalha o chão, / esquece os que estão, / rasga o marasmo em ti mesma. / Vê corações, / na cara que pões, / vira do avesso esse enguiço. / Desamordaça a dança pra te convencer. / O teu coração / sem querer dispara / força e simpatia ao Ser que te vê dançar. / O teu coração ainda pára, / forçando a apatia p’lo medo de dançar.

Palavra de ordem: reorganizar.

A vida. A casa. A saúde. O coração.

Deixar-me de desculpas.

Encontrar-me na desorganização primeiro.

Reflectir. Reflectir. Reflectir.

Trabalhar a persistência para aquilo que não me dá assim tanto prazer.

Fazer escolhas mais saudáveis.

Retomar algum tipo de exercício físico.

Tenho um tesouro a quem quero conhecer netos. Se uma vida mais saudável não resultar também só lamentarei o curto prazer de ter comido mais algumas porcarias ou de ter passado mais tempo morto no sofá.

Tentar recuperar a (já não muito boa) forma pré-gravídica.

Meia hora diária para e-mails, facebook e blogs de que gosto. Não mais. O primeiro sono da noite é a hora ideal – devia ser presa cada vez que pego no computador (não conta quando te quero dar música) e tu estás acordada, a galrear com os bonecos, a pedir colo ou simplesmente conversa.

Há uma casa (e um casamento) para (re)construir.

O entusiasmo do que aí vem é meio alimento para mim. Entreter-me nos pormenores daquele que vai ser o nosso lugar vai ajudar.

Reflectir. Reflectir. Reflectir.

Compreender. Compreender. Compreender.

Encontrar-me outra vez. Recuperar-me. Nos projectos, no entusiasmo. Parar tolhe-me. Saber quando parar.

Planear. Planear. Planear.

E reflectir. Reflectir. Nisto talvez rezar mais. E depois reflectir.

new-beginnings

Eu não diria melhor #2

Um filho, um livro, um disco, uma árvore,
Dois amigos, dois umbigos unidos num chão de mármore,
Quatro tempos, quatro ventos, dentro de quatro paredes,
Debaixo de um céu de estrelas a nossa cama de rede.

Quero uma casa no campo como elis regina,
Plantar os discos,
Os livros e quem sabe uma menina,
Por mim até podem ser mais,
Um amor como os meus pais,
Os dias como os demais,
Sem serem todos iguais.

Casa no campo com a porta sempre aberta para deixar entrar amigos,
Partir à descoberta,
Ter a minha cama grande com a colcha predileta e um cão desobediente dorme em cima da coberta.
Quero uma casa completa com um pedaço de terra,
E com o espaço quero o tempo para adormecer na relva,
Longe da selva de cimento,
Eu acrescento que quero cultivar mais do que mero conhecimento,
Quero uma horta do outro lado da porta e quero a sorte de estar pronta quando a morte me colher,
Quero uma porta do outro lado da morte,
Ter porte de mulher forte quando a vida me escolher.
Quero uma casa no campo que cheire a flores e frutos,
A gomas e sugus,
A doces e sumos,
Cozinhar para quem quer comer,
Comer como sei viver,
Com apetite já disse que não quero emagrecer.
Comer de colher sopa,
Fazer pão,
Estender a roupa,
Eu faço pouco das bocas que me dizem para crescer,
Eu quero rasgar janelas nas paredes cujas pedras eu carregar com as mãos que uso para escrever.
Casa no campo com lareira e fogo brando,
Que ilumine todo o ano,
O sorriso de quem amo,
Quero uma casa no campo que pode ser na cidade,
Mas tem de ser de verdade,
Mesmo não tendo morada…

A 3 dias dos teus 3 meses.

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Estamos a sair de Fátima. O caminho do passeio proporcionou Fátima hoje embora estivesse nos meus planos virmos juntos, com o pai. Mas se Fátima se proporciona há que parar. Não se passa por Fátima sem parar. E demorámo-nos o tempo de uma prece que te entregasse no colo de Maria. Quando tu nasceste pedi muito que estivesses a nascer para uma vida plena do essencial. Lembro-me de me lembrar várias vezes, nas horas que te antecederam, de que não me poderia esquecer de dar graças assim que te pousassem no meu peito. Eu própria me entreguei nas Suas mãos naquele momento que eu já sabia estar para ser O momento da minha vida. E lembro-me de o ter feito, de te ter entregue assim, também, como vinhas, tão minha mas tão mais de Quem te me deu. E isso foi parte da grandiosidade daquele momento. Tu, no Mundo, única na Criação, única para o nosso Pai. A nossa Aurora era a Aurora d’Ele.
Nesta casa da Nossa Senhora, onde cabem todas as angústias de todas as Mães do Mundo, pedi saúde para ti para que cresças em graça e sabedoria. Saúde para nós – precisamos de conseguir fazer bem esse trabalho de te tornar cidadã do Mundo, minha peça única. Saúde para os nossos. Pedi para mais e melhor saber amar o teu pai. Pedi pela Família que começámos a construir ainda antes de o sonharmos. E agradeci muito. E com tanta força. Todas as graças que temos. O que nos sustenta, o que nos acrescenta. Até que nos afere.
Vamos voltar com o pai assim que der. Vamos mostrar-lhe outra vez de que força é feita a coragem de todos os dias.

Eu não diria melhor #1

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Quando eu pensava que não podia ser mais feliz, manhã após manhã era mais, mas só um bocadinho mais do que o máximo humanamente possível; pensava eu ser absolutamente impossível que eu fosse, de repente, muito mais feliz, do que a própria felicidade até. Mas, de repente, fui. Muito mais. Casei com o meu amor e o meu amor tornou-se a minha mulher, minha em tudo, para tudo, para sempre. E eu, finalmente, consegui divorciar-me de mim e deixar de ser tão triste e aborrecidamente meu, trocando-me, no melhor negócio do século, por ela. Ela ficou minha. Eu fiquei dela. É ou não é estranho e lindo e bem pensado por Deus Nosso Senhor que ambos pensemos que nos livrámos de boa e ficámos a ganhar? É.

 

É sim. A minha mulher é mais minha do que eu alguma vez fui meu — e eu antes não podia ter sido mais para mim, felizmente. Por ter tudo agora para lhe dar. Que alívio. Nunca mais me quero ver na vida.
A não ser aos olhos dela, onde sou muito bem visto — talvez o maior homem que já viveu, logo a seguir ao pai dela, claro. É um milagre como melhorei tanto. E paradoxalmente sem deixar de ser eu por causa disso. Ou mesmo que deixasse, com tal amor não tinha saudades nenhumas.
Sou em termos estritamente matemáticos, amorosos e integrais, tanto mais dela como o todo absoluto que ela é e me deu.
Afinal o casamento é a maior ajuda que se pode receber. Passa-se a pertencer. E, em troca, passa-se a possuir. A pertencer e a possuir mesmo. Fica-se, por troca, sossegadamente apropriado e violentamente proprietário.
Não me venham com modernismos de meia-tijela, liberalices sem fundamento humano, tretas de quem não ama, de quem não aspira ser de outro, amado, que nos ama. Casar é trocar. Casar é trocar a liberdade podre, que é a de cada um, pela posse rica, que é a de quem se quer. E casando se passa a ter, absolutamente, por vontade de quem se dá e de quem recebe.
Casando por amor prescinde-se do nosso pior inimigo (nós próprios), entregando-o a quem sabe e gosta de aproveitá-lo, abusá-lo, tirar o maior prazer dele. E recebe-se quem mais queremos, para dela fazermos o que queremos, que é tudo.

Miguel Esteves Cardoso, in ‘Explicações de Português’

(re-roubado daqui)