4380 dias.

Hoje escrevo para o teu pai por passarem 12 anos sobre o dia em que nos conhecemos. Hoje sexta-feira, dia 13, passam exactamente 12 anos sobre uma outra sexta-feira dia 13.

Eu tinha feito teste de físico química e, sinceramente, se havia superstição era sobre isso mesmo.

Não sei se correu bem. Há-de ter corrido. Entre nós correu, apesar dos caminhos tortuosos.

Não me lembro bem se já imaginava alguma coisa para hoje há 12 anos – esperava o tal rapaz, como provavelmente outras miúdas da minha idade. E o tal rapaz apareceu com uns apontamentos de Anatomia amassados debaixo do braço (devia querer impressionar), uma camisa cinzenta e o cheiro dele – quase posso jurar que ainda tenho na memória o cheiro dele.

Na manga trazia este poema:

 

um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade.

 

E foi embora no fim da hora de almoço para voltar e ficar para sempre.

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s